
As Pérolas de Maputo derrubaram a Liga Desportiva de Maputo, por 3-1, no arranque de uma prova que não só surpreendeu, como dificilmente se esquecerá assim tão depressa.
Há jogos que chegam como sussurro e partem como trovão. Este foi um deles. Seguramente.
No arranque do Campeonato de Futsal da Cidade de Maputo, prova que este ano leva o nome da maior casa de apostas desportivas do País, as Pérolas de Maputo provaram que não vieram apenas para jogar. Que não vieram para cumprir calendário, como se as favas estivessem todas cotadas.
Pelo contrário. Vieram, isso sim, para provar algo bem diferente. E fizeram-no com classe, carácter e com um guarda-redes que pareceu, por momentos, feito de outra matéria. Três dinâmicas que valeram, cada uma delas, um golo para as Pérolas.
O primeiro surgiu como um relâmpago. Trinta segundos após o intervalo, Marten Zucule gelou o recinto com um remate preciso, frio, calculado, que caiu sobre a multidão como cubos de gelo num dia de calor.
Festejou-se esse 1-0 como se o dia não conhecesse o amanhã. E geriram dita vantagem até onde foi possível.
A Liga, por sua vez, aplicou-se como nunca à busca do empate. Entre ataques consecutivos e remates de todos os ângulos, houve bolas a rasarem os postes, outras defendidas por Mohamed, com a própria estrutura metálica da baliza a entrar na dança para negar o que o guarda-redes não conseguia travar.
Veio, pois, um Pedro. Como que a exigir a sua presença nesta crónica, o latagão da Liga tratou de colocar o resultado no seu ponto justo (1-1). O cronómetro marcava 13’24” para o fim. Disparou um remate certeiro que desafiou a lógica e a geometria.
Com o marcador igualado, a LDM lançou-se à remontada. O jogo ficou tenso e aberto. Vibrante. E quando a esperança em verde parecia acender-se de vez, Abdul Bah tratou de ampliar o resultado para as Pérolas, com dois minutos e 44 segundos ainda por jogar. Era o 2-1.
A Liga aplicou o quinto homem como quem vai à caça com todo o seu arsenal, certo de que não voltará de mãos a abanar. Mas Mohamed não estava para conversas. Foi o homem do dia, numa exibição de serenidade e reflexos que desarmou todas as investidas adversárias. Cada remate encontrou nele uma muralha.

E quando a Liga ainda acalentava sonhos de igualdade, foi o próprio guarda-redes Mohamed que, a 56 segundos do fim, apareceu onde menos se esperava. Da sua própria área, após a enésima defesa apertada, rematou certeiro para a baliza contrária.
Marcou, ele próprio, o 3-1. O golpe de misericórdia. O ponto final desta crónica da surpresa. [PLANTEL OC]














