
O México soube esconder, por detrás dos golos, a frieza de uma cerimónia de abertura sem sal e sem alma. A de um Mundial assumidamente político. A Coreia do Sul, essa, tapou os ouvidos e celebrou por cima da Chéquia.
Há ABERTURAS e há aberturas. Esta, do Mundial de Infantino, foi seguramente uma abertura, com letra minúscula. Da confusão no alinhamento do espectáculo à actuação pálida de Shakira e Burna Boy, esta que mais pareceu um reencontro de velhos amigos a homenagear quem já não está entre nós, o tom nunca saiu do limbo entre a festa e o luto.
Dizia o outro que o mundo parou para assistir a uma cerimónia que só se distinguiu de um velório porque, do lado do campo, havia bailarinos animados e, desde as bancadas, um público desesperado por ver a bola a rolar.
Mas juízos de valor à parte: a cerimónia cumpriu com o seu papel de antecâmara do primeiro jogo deste Mundial co-organizado por México, Estados Unidos e Canadá. O vítima? A África do Sul, tão simplesmente!
E o México não teve culpa de nada!
O que a cerimónia não deu, o campo devolveu com juros. Bastou o primeiro jogador mexicano pisar o relvado para o aquecimento para se ouvir um grito verdadeiro, o de quem esperou demasiado tempo por aquele momento.
A festa que só o futebol sabe proporcionar intensificou-se aos nove minutos, quando Julián Quiñones marcou o primeiro golo deste Mundial, agradecido a um erro defensivo dos Bafana-Bafana.
Se com onze, a África do Sul já era uma equipa plana, imagine-se, então, com dez: tornou-se estéril após a expulsão de Sithole logo no início da segunda parte,
Ao México coube o verdadeiro desfile digno de uma abertura: o olé que interrompia a famosa onda mexicana, o domínio sem contestação. O 2-0, assinado por Raúl Jiménez aos 67 minutos, foi apenas a confirmação do inevitável. Primeira jornada encerrada com a mesma autoridade de quem manda na sua própria casa.
A Coreia do Sul montou a primeira reviravolta do Mundial
No segundo jogo do dia, a Chéquia parecia ter resolvido o guião aos 59 minutos, com o golo de Krejčí. Um avanço contra a corrente, num jogo tacticamente amarrado, mas que parecia suficiente.

Só que foi exactamente quando os checos julgaram ter o roteiro nas mãos que a Coreia do Sul moveu mundos e fundos. O empate chegou aos 67 minutos. E a Chéquia, que já aceitava dividir pontos, acabou por não ter escolha: Hyeon-gyu Oh vestiu a pele do inconformado e, aos 80 minutos, virou o marcador para um definitivo 2-1, a encerrar com golos e celebrações merecidas a ronda inaugural do grupo A.[PLANTEL OC]














