Touros em “o fim da odisseia africana!”

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Terminou tal como iniciou a epopeia africana taurina: com derrota e em solo faraónico. Desta vez foi diante do Al-Masry do Egipto, por 3-1, no Army Stadium, na Alexandria. A equipa moçambicana falhou assim o acesso aos “quartos”  termina a fase na última posição do grupo D. 

O futebol é, realmente, desses fenómenos esquisitos da vida. Sim. Pela sua injustiça, tal que às vezes exige minúcia para a sua compressão e explicação. Como, por exemplo, é que a audacidade de uma equipa que vive a sua primeira experiência em provas internacionais termina em derrotas gordas, morta por detalhes.

Mas expliquemos, isto, desde o começo, com base no sucedido domingo, 19 de Janeiro, na egípcia e mediterrânica cidade de Alexandria. 

A notícia do regresso de Nené, após cumprir castigo contra o Zamalek, fez Hélder Duarte celebrar com alguma contenção: é que logo de seguida Martinho caiu lesionado a ponto de nem participar no treino de reconhecimento do piso na véspera do jogo. Houve, por isso, uma troca directa no eixo defensivo a três. 

À frente, a única alteração foi a da entrada de Kadre a titular para o lugar de Chamito, isto em relação ao onze do jogo anterior.

E foi mesmo a dominarem o adversário que os Touros sofreram a primeira contrariedade, que só não foi grande pelo desacerto, passado que estava o primeiro quarto do jogo. 

Joseph deixou-se ultrapassar por Bambo a ponto de obrigar Ernan a abandonar os postes para cobrir o ângulo de visão do médio. Porém, atrasado esteve o guarda-redes moçambicano que, na tentativa de desviar a bola, acabou por tocar no pé de apoio do egípcio originando essa grande penalidade desperdiçada por Hassane ao acertar no poste esquerdo da baliza moçambicana. 

Passados sete minutos, veio finalmente o golo. O primeiro. Um lance de contra-ataque e com apenas sete toques na bola terminou com esse 1-0. Espantoso em toda a regra foi o passe na diagonal de Deghmoum, que saiu da esquerda para a direita e que apanhou a defesa moçambicana descompensada. Bambo tratou apenas de assistir Ben Youssef que apareceu isolado dentro da pequena área a desviar, de cabeça, para o fundo das malhas.  

Porque repetiam-se as acções de desconcentração total da defesa nacional sempre que perdesse a bola na saída ao jogo, com Joseph a mostrar-se como uma unidade a mais, Hélder Duarte decidiu mexer na equipa aos 26 minutos. Entrou Chamito no lugar daquele central senegalês, pouco agradado com aquela substituição a ponto de questionar, com gestos, a razão da mesma. 

Mas mais do que uma substituição do castigo, tratou-se também de uma mudança estratégica no sistema táctico esboçado por Hélder Duarte, que do 3-4-3 inicial passou a 4-3-3, com Danilo e Fídel a baixarem para cobrir as duas asas defensivas, esquerda e direita respectivamente e Kadre a juntar-se a Rume e Stephen no eixo do campo. Nené e Chamboco ficou como a dupla de centrais, ao que na frente do ataque Chamito reforçou Hammed e Ejaita. 

Os moçambicanos até voltaram com isso ao jogo, mas penosamente tudo o que conseguiram foi não gerar perigo na baliza de Gad, guarda-redes que se gabou de ser um espectador de luxo ao longo dos primeiros 45 minutos. 

Porque no futebol quem não ataca com perfeição torna-se defensivamente vulnerável, a três minutos do intervalo o Al-Masry ampliou a vantagem, em mais um lance em que a zona recuada taurina ofereceu muito espaço na suas costas para o adversário explorar. 

Depois de percorrer largos metros desde a zona intermediária do meio-campo contrário, Salah Mohsen rematou para a defesa incompleta de Ernan, com Ben Youssef a aperecer na zona frontal para a emenda. O avançado tunisino fez o hat-trickem cima do minuto 45, em mais um inexplicável lance de bola perdida na zona mais recuada da equipa nacional. 

Da segunda metade do jogo a histórica conta-se apenas em três linhas. A primeira das saídas de Hammed e Stephen logo a começar e as entradas de Abdou e Amete, substituições que emprestaram outro ar à criatividade e ataque dos Touros, algo que se viu pouco na etapa inicial. 

A segunda linha foi do finalmente golo da Black Bulls, apontado por Rume, a dar vida ao momento mais ofensivo dos visitantes, decorridos que estavam 57 minutos. Por fim, a da última meia-hora na qual os donos da casa defenderam-se como puderam para não ver relançado o jogo, ao limparem igualmente todos os seus jogadores do sector ofensivo, com destaque para o autor dos três golos.  

Uma crónica, de resto, de uma derrota que precipitou a queda da única equipa moçambicana nas Afrotaças, esta que terminou a fase de grupos na última posição com quatro pontos, fruto de uma vitória sobre o Enyimba e outro empate sobre o Al-Masry, ambos resultados curiosamente conseguidos em Maputo.

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