
Na hora de fazer o balanço da participação da Black Bulls na Taça da CAF, Junaide Lalgy, presidente e patrono da agremiação, disse que sai da prova com um sabor amargo na boca, pois sentiu que a equipa poderia ter feito mais. Faz uma auto-crítica no aspecto da organização, porém lamenta que o País continue a resistir à mudança do calendário desportivo nacional.
Os Touros desembarcaram na tarde de segunda-feira, 20 de Janeiro, no Aeroporto Internacional de Maputo, idos de Alexandria, cidade faraónica na qual despediram-se da Taça da CAF após derrota diante do Al-Masry (3-1).
Na hora de fazer o balanço desta participação, Lalgy – que falou em exclusivo para Plantel OC – confessou que a mesma não foi positiva, pese embora a equipa tenha estado na fase de grupos.
Conforme sublinhou, os moçambicanos passaram a sonhar ao alto depois que se depararam com a qualidade dos adversários encontrados no grupo D, nomeadamente o Zamalek, o Al-Masry, ambos do Egipto, bem como o Enyimba da Nigéria.
“Diria até que foi negativo, tendo em conta as expectativas criadas diante dos adversários que encontramos. Sentimos que poderíamos ter feito mais: ou passar para a fase seguinte, ou terminarmos com uma melhor pontuação. Ficamos aquém daquilo que poderíamos ter feito“, constatou.
Lalgy fez igualmente uma auto-crítica daquilo que poderá ter contribuído para a queda precoce da equipa, ainda na fase de grupos, acusando a inexperiência e também a gestão das viagens, com destaque para a ligação Maputo – Uyo, na Nigéria, na qual os atletas tiveram de fazer três escalas: em Joanesburgo (África do Sul), Kigali (Ruanda) e Lagos (Nigéria).
“Viajamos no início do ano, precisamente a 01 de Janeiro, que é bem sabido tratar-se de um período bastante pressionado em termos de voos decorrente da quadra festiva. Por isso mesmo tivemos de repartir a equipa em três grupos para essa viagem a Nigéria, sendo que, chegados lá, nos deparamos com vários constrangimentos. Em suma, só tivemos dois dias de treino antes do jogo contra o Enyimba“, relatou.
Aliás, a situação vivida pela equipa moçambicana durante a viagem até Uyo foi, na verdade, sequência de uma série de acontecimentos que a fonte disse se “tratarem de factores com alguma relevância e que influenciaram negativamente a prestação da equipa“.
“Vínhamos de uma época intensa, sobretudo na recta final do Moçambola, com a mistura de jogos da selecção. Logo de seguida houve essa alteração das datas da realização da primeira volta da fase de grupos da Taça da CAF, empurrada para o fim do ano. Isso fez com que estivéssemos só a treinar para estes jogos. Depois tivemos o período festivo, em que permitimos que os atletas fossem e, por uma semana, passar as festas com as respectivas famílias“, acrescentou, sublinhando que não quer, com isso, justificar as derrotas dentro das quatro linhas.
“Quero deixar bem claro que não é justificação. Simplesmente não conseguimos alcançar o nosso objectivo, sendo porém verdade que tiramos as devidas ilações, aprendemos com o sucedido, ao que nos toca corrigir o que se fez mal para voltarmos muito mais fortes e a tempo de dar passos gigantescos e que possam prestigiar a instituição e também o nosso País“, sublinhou.
Mudança do calendário desportivo
Para Lalgy é incocebível que o País demonstre resistência à mudança do calendário desportivo, visando adequá-lo ao que agora se considera de internacional.
Para o dirigente, jogar-se de Março a Novembro logo à partida é uma desvantagem para quem vai competir em África. É, aliás, um tema que deve ser uma vez mais discutido.
“Infelizmente os dirigentes desportivos têm feito ouvido de mercador. Não querem mais tocar neste assunto, se calhar é porque a selecção nacional neste momento já não está afectada, uma vez que está repleta de jogadores que militam no estrangeiro, em países que competem com calendário desportivo normal. São poucos os jogadores que militam no Moçambola e que têm sido convocados“, analisou Lalgy.

















