
Abrir uma nova era na modalidade e devolver o País ao grande palco africano são os objectivos a que se propôs o novo seleccionador nacional de futsal, Nadir Narotam, apresentado quinta-feira, 24 de Abril, pela Federação Moçambicana de Futebol (FMF).
Em Fevereiro de 2024, Moçambique falhou de forma vergonhosa o acesso ao CAN2024 ao cair aos pés da Zâmbia pelo agregado de 4-3, na derradeira eliminatória de acesso àquela prova. A selecção nacional levava de Maputo uma vantagem de 3-2, porém perdeu por 2-0 em Lusaka, deixando para memória aquela penosa imagem de atletas estatelados no chão, a serem erguidos por outros que tinham a camisola amarela banhada de lágrimas e suor a tapar-lhes o rosto.
Esse foi, por sinal, o último retrato da selecção de um País que não só foi mundialista (Colômbia2016) como também foi vice-campeã africana em 2004, medalha de bronze em 2016 e quarta em 2018.
É neste contexto que, para não deixar morrer um nome que vai perdendo algum peso até no contexto regional – a ponto de ser eliminado de um apuramento ao CAN pela Zâmbia – a FMF decidiu dar um passo à frente e contratar Nadir Narotam para o cargo de seleccionador.
Trata-se de um treinador de 40 anos de idade, vice-campeão nacional em título pelo Atlético de Moçambique e actualmente no comando técnico da Liga Desportiva de Maputo, que vai assumir o novo cargo até 2028.
É por demais conhecedor do banco que agora vai liderar, visto que em 2016 foi seleccionador nacional adjunto daquela memorável selecção que depois de conquistar o bronze africano na vizinha África do Sul foi no mesmo ano marcar aquela presença absoluta no Mundial de Futsal, na Colômbia.
E como que para ter a certeza dessa vontade manifestada no contexto de resgatar a equipa de todos nós, Nadir Narotam foi por sua vez buscar dois treinadores adjuntos de conhecida experiência e de créditos firmados para o ajudarem no processo.
Trata-se Elson Teixeira da Costa, ou simplesmente Elsinho, treinador-adjunto campeão nacional em título pelo extinto GD Iquebal e actualmente adjunto no Maputo Futsal, bem como Naymo Amade Abdul, que foi por sinal o seleccionador aquando das proezas maravilhosas de 2016: terceiro lugar no CAN e apuramento ao Mundial.
Nadir foi ainda buscar o antigo atleta Filipe Andrade (craque do Maxaquene e campeão nacional de futebol em 2012) para preparador físico e Pack dos Santos, este que por sinal se vai encarregar da análise do desempenho, sendo igualmente responsável pelo trabalho psicológico da selecção.

O objectivo é rejuvenescer e retomar aos pavilhões africanos
Na primeira intervenção após a sua apresentação pública, Nadir revelou que mais do que estar a assumir um cargo de sonhos, sente o peso do desafio que terá pela frente. Com o sucesso, por sua vez, preso a um trabalho de longo prazo.
É que conforme revelou o novo seleccionador, “o nosso principal objectivo é o de participar no próximo campeonato africano. É um facto que sobre o qual não temos escolhas”. Ou seja, é a pensar em 2028.
“Mas para estarmos lá sabemos que temos de disputar as eliminatórias contra as selecções da nossa região, com as quais falhámos da vez passada”, começou por narrar, para de seguida lançar o que será, para si, um caderno de encargos para alcançar esse objectivo.
“Desta vez precisamos de ter as condições e as ferramentas necessárias, mas acima de tudo de demonstrarmos, todos, a vontade de lá estar. De vencer”, continuou.
Porque aquela imagem da Zâmbia não deixou indiferente a qualquer amante da bandeira das cinco maravilhosas cores, quanto mais a alguém que respira o futsal como é o seu caso, Nadir demonstrou ter já feito a radiografia da situação. Para a usar como bússola para uma almejada caminhada gloriosa da nova equipa técnica.
Disse que “as selecções da região Austral de África estão a evoluir de tal forma que era impensável há alguns anos, ao que nós temos de evoluir também. Vai daí que eu e o meu staff técnico conseguimos identificar alguns pontos que farão toda a diferença. Mas tais pontos só os conseguiremos aplicar em prol do objectivo macro quando começarmos a trabalhar. De forma faseada e paulatinamente”.
Para já toca a Nadir e o restante staff ter o controlo dos atletas através dos clubes. “Fazer uma aproximação visando saber da possibilidade de, uma vez a outra, termos a selecção a trabalhar”, projectou.
A ideia fundamental desta estratégia é a de rejuvenescer a equipa. Descobrir talentos acima da média e que sejam úteis para a selecção.
Segundo explicou, “existe uma base de dados que já a conhecemos, mas que nunca mudou desde 2016. É caracterizada por jogadores experientes e que até estiveram no Mundial. Sobre os mesmos temos uma ideia fixa”, ao que agora “nos toca tentar mudar o cenário e procurar novos talentos, fazer uma filtragem constante e enquadrar todos os seleccionáveis na nossa filosofia de trabalho e ideias de jogo”. [PLANTEL OC]
















