
Os moçambicanos que conquistaram o pódio nas competições internacionais entre os anos de 2017 e de 2024 foram esta sexta-feira, 25 de Abril, premiados pelo Ministério da Juventude e Desportos. A iniciativa decorreu no âmbito do plano dos primeiros 100 dias de governação do Chefe de Estado Daniel Chapo para o sector do desporto.
Ao todo, o Governo moçambicano desembolsou um total de 15 milhões de meticais para esta iniciativa cuja cerimónia decorreu no Estádio Nacional do Zimpeto e que foi liderada por Caifadine Manasse, ministro da Juventude e Desportos
O valor representa perto de 50% dos 31 milhões de dívida acumulada para com os beneficiários durante o período compreendido entre 2017 a 2024, tendo na ocasião ficado a promessa de se efectuar o pagamento do remanescente nos próximos três meses.
Trata-se de um evento importante para o associativismo desportivo visto que no dia da sua tomada de posse, a 28 de Janeiro último, o ministro da Juventude e Desportos comprometeu-se a honrar as conquistas desportivas do País, tal como fez menção no discurso que marcou esta cerimónia de premiação.
“Ciente desta dívida moral e institucional, o Governo empreendeu esforços adicionais para, logo no início dos primeiros 100 dias deste novo ciclo, restabelecer o que é vosso de direito e honrar com os seus compromissos”, revelou.
Aliás, Manasse reconheceu que a espera dos atletas por um momento igual foi longa e desgastante, pois foram “cerca de sete anos em que muitos dos nossos campeões não receberam os prémios e incentivos a que têm legalmente direito”.
Por isso – continuou – “queremos com este gesto iniciar de forma serena, transparente e firme uma nova etapa, aonde os direitos dos agentes desportivos sejam garantidos com regularidade, justiça e com dignidade”.

Ainda assim, Manasse alertou que devido à conjuntura de muitos desafios que o País actualmente enfrenta, “nem sempre conseguimos dar vazão aos problemas de todas as modalidades”, apelando por isso “à colaboração de todos para que juntos, através do diálogo, consigamos ultrapassar estes constrangimentos”.
O dinheiro foi canalizado para as contas das federações
Os 15 milhões de meticais referentes a quase 50% do valor da premiação foi canalizado nas contas das diferentes federações desportivas nacionais. Neste momento, cabe a estas entidades procederem com o pagamento aos respectivos atletas, sempre com base numa folha de pagamento elaborada e os prazos previamente estabelecidos pelo Fundo de Promoção Desportiva (FPD).
É de todo um procedimento pelo qual Caifadine Manasse pediu aos gestores das federações “muita serenidade, profissionalismo e responsabilidade, por forma a que o valor seja realmente canalizado aos devidos destinatários, sem que para tal tenhamos a necessidade de voltar a intervir no processo”.
“O pedido que fazemos e, o reiteramos, é que se entregue o valor aos atletas a 100% do que têm neste momento a receber. O que procedemos ao pagamento corresponde a 50% daquilo que têm direito, ao que nos próximos três meses faremos esforço para fechar com o remanescente”, prometeu o governante.
Serão passados cheques aos atletas
Em resposta ao apelo do ministro da Juventude e Desportos, o secretário da Federação Moçambicana de Voleibol, por sinal a mais premiada durante o período em apreço (2017 e 2024), explicou como será o procedimento de canalização dos valores aos atletas.
Conforme detalhou Pelágio Pascoal, “o que faremos desde já é confirmar a disponibilidade dos fundos junto da nossa agência bancária para que, de seguida, possamos emitir os cheques correspondentes à premiação a cada um dos beneficiários”.
“Posso garantir que todos receberão conforme a lista existente e dentro dos prazos definidos para o efeito”, assegurou.
O nosso entrevistado congratulou o Governo por esta acção, mormente porque houve muito sacrifício. Muita paciência. “Como sabemos, a dívida do Estado nunca fica sem ser paga e hoje testemunhámos isso, aqui, que é o pagamento daquilo que é o direito dos atletas”, finalizou.
Difícil de acreditar que este dia chegou: as reacções dos premiados!
Alcinda Panguana, pugilista – Quero agradecer o Governo por este reconhecimento e pelo esforço que fez de reconhecer a dedicação pelo País desde 2017. É-nos difícil de acreditar que vamos receber os nossos prémios hoje, mas estamos aqui para testemunhar isso.

Délcio Soares, antigo atleta de voleibol – Estamos satisfeitos porque quando iniciou este processo, com uma simples carta para o FPD, quase que não fomos bem compreendidos. Mas depois fomos percebidos, visto que a partir desse momento houve união e coesão no seio do grupo. Fizemos perceber aos outros que não estávamos a fazer nada mais do que exigir o que é nosso por direito. É algo que está previsto no regulamento. Vimos, aqui, caras novas. Notamos que o grupo é, afinal, ainda maior. Estamos felizes, sobretudo porque o Governo compreendeu que era por um bem maior. Que é possível perceber que os atletas trabalham para honrar o País e que muitas vezes o fazem sem condições. Com dificuldades básicas, com material desportivo que é oneroso, mas que mesmo assim conseguimos ombrear com adversários internacionais profissionais, financeiramente robustos.
Só esperamos que no futuro esta premiação não leve muito tempo tal como sucedeu até aqui. De resto não esperava que os valores fossem canalizados nas contas das federações, porém o ministro frisou que devem ser canalizados para as contas dos atletas a 100% do que foi transferido.

Donaldo Paiva, xadrezista – Foi uma boa surpresa, o que demonstra uma nova dinâmica do Ministério da Juventude e Desportos. Vai de certeza nos moralizar, a nos empenharmos ainda mais nesta modalidade de xadrez que muitas vezes fazemos só por amor. Sabendo que haverá uma premiação monetária à vista, o esforço e a motivação serão outros. Valeu a pena a espera. É verdade que nunca disseram que não teríamos mais o prémio, porém estávamos a perder a esperança pelo tempo que passou. Mas que finalmente chegou.

Lucas Sinóia, treinador – Estamos todos felizes. É um bom princípio e do qual estávamos todos à espera. É verdade que foi um pouco desgastante, porém é um prémio merecido aos atletas. Estavam com sede do mesmo. Incentiva os que realmente precisam praticar o desporto de forma profissional. É igualmente uma motivação para todos aqueles que querem praticar o desporto no futuro, de que afinal é possível ganhar dinheiro nesta actividade.

Deolinda Nunes Mabote, presidente da Federação Moçambicana de Natação – É uma honra saber que finalmente se vai premiar os melhores atletas do País. Era complicado para nós, como dirigentes, não saber como que até aqui faríamos para premiar os que conquistaram o pódio ao longo destes anos. Esforçaram-se muito para estas conquistas. Abdicaram de muita coisa. Com muita dedicação, muita persistência, consistência e muito sacrifício que não estávamos a ver como estavam a ser reconhecidos. Como federações temos de agradecer o esforço do Governo por este gesto. Sabemos que não foi fácil, pois o País atravessa um momento difícil, de muitas dificuldades financeiras. Mas ainda assim o MJD fez este esforço de premiar os atletas. Agradecemos. A esperança é sempre a última coisa a morrer e este evento vem a testemunhar isso.

Mohamed Valá, presidente da Federação Moçambicana de Voleibol – Sermos a federação desportiva mais premiada ao longo dos últimos sete anos é resultado de muito trabalho realizado pelos nossos atletas e também pelos nossos treinadores, aos quais dou os meus parabéns e sincero agradecimento por isso. Nos últimos anos tivemos muitas selecções no pódio, desde as de sub-19, de sub-21 e de seniores. Isto motiva-nos a trabalhar ainda mais para manter este ritmo e ter os nossos atletas mais vezes nos pódios. Mas toca-nos efectuar os pagamentos na íntegra que do que recebemos, tendo em conta a lista recebida do Fundo de Promoção Desportiva e os prazos que temos para justificar estes pagamentos. É algo que faremos com maior brevidade.














