FRANCISCO: O humilde Xavier que agigantou Songo!

0
113

Há líderes que passam pelos clubes como o vento — deixam marcas, mas não ficam. Francisco Xavier foi diferente. Ficou sete anos. E na hora de sair, tal como o rio Zambeze que corre por ali perto, levará consigo o eco de cada conquista. Mas deixará, seguramente, saudades.

Francisco Xavier encerrou quinta-feira, 23 de Abril, um ciclo de sete anos à frente da UD Songo.

Da sua própria iniciativa, a decisão foi aceite pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), empresa patrocinadora da agremiação, coincidindo a mesma com a sua passagem à reforma como quadro da empresa.

A saída surge no momento mais alto da sua carreira dirigente. Em 2025, sob a sua liderança, a UD Songo conquistou a dobradinha — o Moçambola e a Taça de Moçambique —, consagrando também um feito histórico: 19 vitórias consecutivas, o maior registo de sempre no futebol moçambicano e um marco sem paralelo em todo o continente africano.

E o reconhecimento por esse feito não tardou: a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) distinguiu-o como Dirigente Desportivo do Ano.

O seu palmarés à frente da UD Songo é dos mais expressivos do futebol nacional: dois campeonatos nacionais (2022 e 2025), duas Taças de Moçambique (2019 e 2025) e uma Supertaça Nacional (2023).

Mais do que os troféus, Francisco Xavier foi o arquitecto de uma estrutura administrativa sólida e orientada para os resultados, que transformou a UD Songo em uma das principais potências do futebol moçambicano.

O dirigente deixa o clube em pleno processo de modernização. Entre os projectos em curso destacam-se a requalificação do campo de futebol principal, a construção de novos campos e a edificação de um centro de treinos.

No plano da gestão, impulsionou no último ano a digitalização dos processos desportivos, com foco no desenvolvimento físico e táctico dos atletas.


Francisco Xavier deixa ainda uma marca pioneira na relação entre clubes e os patrocinadores: foi sob a sua presidência que a UD Songo se tornou um dos primeiros clubes do país, apesar de ligado a uma empresa pública, a atrair o apoio de marcas privadas — abrindo um novo modelo de financiamento desportivo em Moçambique. [PLANTEL OC]

Artigo anteriorCAN SUB-17: Mambinhas já conhecem as datas e horas dos jogos
Próximo artigoSINE DIE: Chuvas forçam adiamento de jogos de futsal