
É triste, mas demasiado previsível para constituir um choque, até para os mais otimistas – o MOÇAMBOLA, que no mês passado parou para os Mambas se envolverem numa derrota amigável contra os bafana-bafana da África do Sul, está outra vez suspenso, mas desta vez o principal campeonato de futebol da pátria amada deixa de rodar porque não pode voar…
A liga moçambicana de futebol deve dinheiro de passagens aéreas emitidas no passado distante e recente a favor dos clubes que disputam a competição e a LAM resolveu dizer basta. Sem dinheiro não há passagens e sem estas ninguém viaja!
Seria de um CINISMO POLÍTICO superlativo, o mesmo executivo que se lançou de cabeça no projeto de recuperação económica e patrimonial da LAM, impôr à companhia que, excecionalmente uma vez mais, renove o crédito a uma entidade com um notável histórico de dívidas insanadas para com a transportadora, em claro prejuízo do delicado processo de recuperação que esta re-encetou, tentando acima de tudo resgatar a dignidade que se esvaiu com o tempo e com os insaciáveis apetites de todos quantos, encapados de gestores, mutilaram as asas da companhia moçambicana de bandeira, deixando-a sem eira e à beira do abismo.
Se não conseguimos colocar os pés no chão, tentemos ao menos conservar a cabeça no lugar, movidos por algum patriotismo racional em detrimento do egoísmo emocional que temos revelado, no culto fictício de uma suposta unidade nacional baseado em pontapés numa bola de futebol que “opiam” o povo por 90 minutos, num dia que continua a ter 24 horas de lucidez compulsiva.
Coerência rima com decência e inteligência rima com PACIÊNCIA.
Opinião de Henrique Aly – Jornalista da SuperSport

















