
Inácio Xavier Bute até condenou a violência policial sobre o treinador do Maxaquene, porém disse tratar-se de um mal necessário. Entre outras contradições, enganou-se a respeito da ficha técnica por ele elaborada ao referir-se ao vice-presidente do Maxaquene como um “auto-intitulado dirigente”.
Plantel OC teve acesso ao relatório do jogo entre o Ferroviário da Beira e o Maxaquene, disputado passada quinta-feira, 21 de Maio, no Caldeirão do Chiveve, referente à quarta jornada do Moçambola2026.
No documento, o delegado da LMF, Inácio Xavier Bute, presta informações que entram em contradição directa com as imagens divulgadas nas redes sociais.
Precisamente sobre a acção policial sobre o treinador do Maxaquene, Mauro Jamal, perante a qual nega ter chamado os agentes para retirarem um elemento do jogo – ainda que expulso pelo árbitro.
Não sendo isso, tudo, Inácio Xavier Bute presta falsas declarações sobre a identidade do vice-presidente do Maxaquene, Fernando Simbine.
A expulsão que desencadeou a confusão!
Passados 27 minutos do jogo, o quarto árbitro, Gomes Amisse – por sinal residente na Beira, cidade do clube anfitrião e adversário do Maxaquene – solicitou ao juiz principal, Eugénio Nhatava, a expulsão de Mauro Jamal, alegando ter sido insultado pelo técnico. Dito e feito.
No entanto, o treinador contestou a decisão, uma atitude que atrasou a sua retirada do campo, fazendo com que o jogo ficasse parado por quase cinco minutos.
Perante a situação, Inácio Xavier Bute solicitou a intervenção de seis agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), dois deles fortemente armados e um deles com o dedo no gatilho.
Na tentativa de persuadirem o técnico a abandonar o recinto, três dos seis agentes recorreram à força física para retirarem Mauro Jamal, com empurrões violentos e ameaças de detenção. As cenas foram registadas em vídeo e amplamente partilhadas nas redes sociais.
Ainda assim o delegado contradiz o vídeo…
Apesar do carácter confidencial do relatório do jogo, por ser naturalmente para o uso interno e disciplinar da LMF, Plantel OC teve acesso a este documento assinado por Bute, que todavia apresenta uma versão dos factos que choca com as imagens.
O delegado afirma que a polícia foi convocada exclusivamente para retirar “o indivíduo que se auto-intitulava de vice-presidente do Maxaquene” e descreve a violência sobre Mauro Jamal como um comportamento policial “não recomendável”, provocado pela resistência do próprio treinador.
Lê-se, ainda no documento, que “a polícia foi obrigada a se remeter, acabando por ter um comportamento não recomendável ao agarrar ao treinador para o retirar. Mas este também portou-se de forma não adequada perante os pedidos da polícia”, como quem apoia a violência e que, ao mesmo tempo, condena a forma.
Sucede, porém, que o vídeo mostra o alegado “auto-intitulado vice-presidente do Maxaquene” – designação utilizada por Inácio Bute no relatório – a tentar apaziguar a situação, persuadindo Mauro Jamal a abandonar o recinto.

Em acto seguinte, o dirigente dirigiu-se ao banco técnico para pedir calma e foco no jogo, sem que a polícia se dirigisse a ele.
E a mentira documentada!
A falsidade mais flagrante do relatório diz respeito à identidade de Fernando Simbine. Inácio Bute escreve que o dirigente tricolor não consta da ficha técnica do jogo, alegando tê-lo provado durante o diálogo ocorrido no relvado.
Tudo mentira. A própria ficha técnica, preenchida por sinal à mão pelo próprio Inácio Bute, identifica Fernando Simbine como delegado do Maxaquene para aquele desafio, devidamente credenciado com o cartão de licença número 010165M80 passado pela Federação Moçambicana de Futebol.
Pelo que estava autorizado a estar dentro do recinto. Aliás, Bute tão pouco fez o que disse ter feito no relatório: mandar expulsar o dirigente. Fê-lo, isso sim, para com Mauro Jamal, num acto que terminou com a violência policial vista por todos. Até pelos céus.
[PLANTEL OC]














